Terceiro livro da coleção dos “Profetas Menores”. Este livro tem duas citações no Novo Testamento: Estevão em Atos 7.42-43 e Tiago em Atos 15.16-18.
O AUTOR
Amós, profeta nascido em Tecoa, Judá, a uns 17 km de Jerusalém e 10 km ao sul de Belém. Era vaqueiro e cultivador de figos (7.14). Seu nome significa “carregador de fardos”. Não foi educado para ser profeta, ou como ele mesmo disse: “Não sou profeta, nem discípulo de profeta, mas boiadeiro e colhedor de figos”. Não se sabe se era dono dos rebanhos e das figueiras ou se trabalhava como empregado. Sua perícia com as palavras e o alcance notadamente amplo de seus conhecimentos históricos e cosmológicos, em geral, excluem a hipótese de ser um camponês iletrado.
Sua negação de fazer parte de “grupo de profetas” enfatizou a distância que mantinha das instituições formais, como a corte real e o Templo (7.14-15). Por causa de sua posição de independência podia proclamar livremente a mensagem de Deus, sem se preocupar com a opinião pública.
Foi chamado por Deus para profetizar ao povo de Israel (3.8; 7.14-15). Mesmo sendo natural do Reino do Sul (Judá), profetizava no Reino do Norte (Israel)l. Este pregador apareceu em Betel, o santuário do rei Jeroboão (7.13), onde havia um dos bezerros de ouro (1Re 12.28-29). Falou tão ousadamente que o sacerdote Amazias mandou dizer ao rei Jeroboão que Amós conspirava contra ele (7.10-13).
Amós não era o único profeta de seus dias. Deus mandou um grande número de mensageiros para salvar seu povo da destruição que viria inevitavelmente. Quando menino deve ter conhecido Jonas e Eliseu. Era contemporâneo do profeta Oséias (Os 1.1 e Am 1.1). Antes de encerrar sua carreira, Isaías e Miquéias haviam iniciado seus ministérios. Amós exerceu seu ministério nos reinados de Uzias, rei de Judá e Jeroboão II, rei de Israel (1.1).
Amós era tão temente a Deus que não receava ninguém. Proclamou uma mensagem tão avançada para seu tempo que a maior parte da raça humana e boa parte da cristandade ainda não compreendem seu alcance, apesar de suas corajosas palavras datarem de oitocentos anos antes de Cristo.
Amós como profeta, em muitos sentidos foi como Cristo.
1 – Em sua ocupação, um trabalhador (7.14).
2 – Em sua humildade, reconheceu sua origem humilde (7.15).
3 – Em seu método de ensino por meio de ilustrações.
4 – Ao afirmar sua inspiração divina. Ele repete a frase “Assim diz o Senhor”, quarenta vezes em sua profecia.
5 – Ao ser acusado de traição (7.10).
6 – Na pressão do dever que estava sobre ele (3.8).
7 – Ao denunciar o egoísmo dos ricos (6.4-6).
DATA
O ministério profético do Amós se realizou durante o reinado de Uzias (às vezes denominado de Azarias) de Judá (792-740 a.C), e de Jeroboão II, de Israel (793-753 a.C.).
O início do livro diz que Amós recebeu as visões da parte de Senhor, “dois anos antes do terremoto” (1.1). O historiador Flávio Josefo nos informa que este terremoto ocorreu no tempo em que Uzias ficou leproso. E isto foi um pouco antes do fim do reinado de Jeroboão. Esta declaração indica que o ministério dele se iniciou em 752 a.C.
CONTEXTO
Uzias ocupava o trono de Judá e Jeroboão II era o rei de Israel. Foi uma época de grande prosperidade. As antigas fronteiras do reino de Davi foram reconquistadas, havia dinheiro em abundancia e os exércitos de Judá e Israel eram vitoriosos. Amós e Oséias profetizaram para Israel, Isaías e Miquéias para Judá.
A Assíria ainda não havia surgido como potencia conquistadora. A ideia de uma ruína que se aproximava, como anunciavam os profetas, parecia improvável para os reinos do Sul e do Norte, que gozavam de um período de paz. As nações ao redor não tinham condições militares de lhes causar problemas (6.1-13). No entanto os profetas de Deus viram além das aparências da denominada “era de ouro” e enxergaram a podridão da decadência social e moral em Israel e Judá. Amós e Isaías descrevem imagens semelhantes da realidade no reino dividido. Ao contrário das aparências externas, esses profetas alegam que as nações hebraicas estavam carregadas de iniquidade e prontas para receber o juízo divino (Am 8.1-2; 3.9-15; Is 3.13-15; 5.8-30).
Nada podia ser mais improvável do que as sentenças de Deus profetizadas por Amós, naquele tempo de grandes bênçãos. Contudo suas profecias de julgamento se cumpriram em 732 e 722, quando Israel e sua capital Samaria foram conquistadas pelos assírios.
Sob Tiglate-Pileser III (745-727 a.C), a Assíria ganhou força e expandiu-se para o norte e oeste. Judá logo tornou-se vassalo da Assíria, e o estado de Damasco, que estivera entre Israel e a Assíria, passou a fazer parte do Império Assírio (2Rs 16.7-9).
Tiglate-Pileser III foi sucedido por seu filho, Salmaneser V (727-722), que continuou a política de expansão do seu pai para o oeste, e forçou Oséias, rei de Israel a tornar-se seu vassalo. Contudo Oséias erroneamente rebelou-se e buscou no Egito uma ajuda que jamais recebeu. Então Salmaneser sitiou a Samaria, depois de três anos, a capital israelita foi conquistada (722 a.C) e o Reino do Norte de Israel teve seu fim (2Rs 17.3-6).
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segunda-feira, 16 de março de 2015
ESTUDO DO LIVRO DO PROFETA AMÓS
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